Resenha: Oceano entre Nós


Livro: Oceano entre nós 

Autora: Tahereh Mafi 

Editora: Universo dos livros 

N° de páginas: 304 

Gênero: Romance, Jovem adulto 





Essa história é linda e profunda como o próprio nome. Ás vezes eu me perdia nela, e em outras, sentava no raso com medo do que viria ali na frente. 

Shirin é uma garota bastante forte pra idade dela, porém tem muitos medos e inseguranças. E é justamente esses medos que a faz ser tão forte. Ela tem que aguentar muito preconceito carregado de ofensas e ódio desde que ela se entende por gente. Ela já foi muito usada, exibida e maltratada psicologicamente. E a gente vê como isso a afetou bastante no decorrer de situações que ela passa na história e como aprendeu a lidar com elas. O que gerou também muito rancor e raiva dentro dela, e, consequentemente, era assim que ela lidava com o mundo em sua volta. Além de impedir qualquer aproximação de alguém com ínfimo desejo de conhecê-la melhor.


"— Eu não faço ideia de como alguém conseguiria ser normal perto de você. Não consigo ser normal perto de você.

— O quê? Por que não?

— Porque você é muito intimidadora — disse. — E nem percebe isso. Você não olha para as pessoas, não fala com as pessoas, não parece se importar com nada que é importante para a maioria dos adolescentes. Tipo, você aparece na escola como se tivesse acabado de sair das páginas de uma revista e acha que as pessoas a estão encarando por causa de algo que viram no noticiário."


Os pais da Shirin sofreram bastante também e as vezes eu ficava meio indignada com eles por isso. Não por terem sofrido e conseguirem dar a volta por cima, lutando com sangue e suor por seus direitos, sonhos e por uma vida melhor. Mas por acharem que o que a Shirin passava não era nada demais. Não gosto dessa coisa de diminuir a dor do outro. Mesmo que ela não tenha passado perto do que eles viveram, ela ainda assim sofreu bastante com todo assédio e preconceito. Tem duas cenas específicas, na história, que me deixaram muito mal (Dava vontade de pegar ela, embrulhar numa manta e proteger do mundo), e tem bastante cenas que dá vontade de dar um socão em alguém, e eu nem gosto de violência!


"Mas, um dia, após uma terrível tragédia, eu tinha acordado sob os holofotes. Não importava que estivesse tão abalada e horrorizada quanto todo mundo; ninguém acreditava na minha dor. Pessoas que eu não conhecia de repente me acusavam de assassinato. Estranhos gritavam comigo na rua, na escola, no mercado, nos postos de gasolina e nos restaurantes, me mandando voltar para casa, vá para casa, volte para o Afeganistão, sua terrorrista de merda de camelo."


O Navid, irmão da Shirin, eu casava. Ele é muito fofo e divertido e idiota. Ou seja, o meu tipo ideal. [risos] Ele ajuda bastante ela e coloca um grupo incrível na vida dela que incentivam e apoiam bastante ela. E como irmãos, um vive implicando com o outro, o que é muito divertido de se ver.

Assim como a gente, a Shirin também tem suas coisas favoritas. Ela tem paixão por música, moda e [batida de hip hop] breakdance. Ela desenha e reforma as próprias roupas, escuta música o dia inteiro num iPod que ela surupiou do irmão e dança muito brm breakdance. E é isso que faz ela extravasar, esquecer do mundo lá fora, de toda maldade e preconceito. Ela se encontra ali e se perde também. 


"A música parecia me sustentar como se fosse um segundo esqueleto; eu me apoiava nela quando os meus ossos pareciam abalados demais para me manterem em pé " 


E o Ocean (que achei o nome muito irônico quando li pela primeira vez), ele…. Nossa, nem sei o que falar dele. É ele que faz (com uma forcinha da trupe do breakdance) a Shirin abrir um pouco mais suas barreiras, ver as coisas sob uma visão diferente e acreditar mais nas pessoas, que por mais que exista idiotas por aí (e que tá cheio, a gente sabe bem disso), também tem bastante gente boa.

As cenas entre eles me deixava sorrindo bobinha, e por vezes, envergonhada, como se eu realmente estivesse invadindo uma privacidade ali. Eles eram muito fofos juntos. Ele sempre tentando não dizer nada que a magoasse (por não conhecer muito da sua etnia) ainda que soltasse suas perguntas bobas, mas meramente curiosas e inocentes. Enquanto ela tentava protegê-lo de tudo.


"— Não posso fazer isso — falei. — Acho você maravilhoso. 

Ele suspirou. Não estava olhando para mim quando disse:

— Isso não está ajudando.

— Eu também acho que você tem olhos realmente lindos.

Ele ergueu o olhar, surpreso.

— Você acha?"

 

Eu tive que me segurar muito pra não ler ele todo em uma noite. Quando você começa a ler, você mergulha tão profundamente nela que fica difícil emergir depois e, quando faz, ainda fica com ela na mente. Por mim, eu teria marcado o livro todo com post it de tão incrível que é. Toda cena, cada capítulo tinha algo de especial e único. A escrita da Tahereh é realmente cativante.

Foi uma história muito gostosa de ler e que val a pena. A perspectiva de alguém que sofreu muito com o preconceito e aprendeu a lidar da sua maneira, são coisas que nos faz pensar nas pequenas atitudes e nos nossos pensamentos. Assim como a Shirin, a gente também tira conclusões precipitadas antes mesmo de conhecer melhor alguém. Apesar que, na parte dela, isso era mais como um bloqueio, uma proteção pra não sofrer ainda mais. E ainda assim, ela se apaixonou pelo estrelinha do colégio, o jogador número um do time de basquete. E viu que, apesar do título que carregava nos ombros, Ocean era mais que um bom jogador ou um cara bonito, ele era simples, sincero e sensível.

Terminei a história querendo mais. Então, se rolasse um extra, eu não ficaria triste, não, viu?






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