Livro: O Castelo Animado
Autora: Diana Wynne Jones
N° de páginas: 366
Editora: Galera Record
Gênero: Ficção, Infantojuvenil
Ganhei o box lindão do Castelo Animado no meu aniversário de 2021 e ele é tão maravilhoso que eu não resisti e já fui folhear o primeiro livro. É claro que eu sou um pouco suspeita pois sou APAIXONADA pela animação do Studio Ghibli (todos são incríveis, mas o Castelo Animado tem um espaço maior no meu coração), então não consegui resistir mesmo. Logo comecei a ler e em menos de duas semanas (sim, gente, tive que me controlar pra resultar nesse tempo porque por mim eu teria acabado no mesmo dia) eu terminei ele e, embora não tenha finalizado do jeito que eu pensei (leia-se: queria), a leitura foi muito gostosa. Ela flui muito bem, é bem levinha e divertida. O Howl e a Sophie são tão apaixonantes quanto no filme. Tem umas implicâncias (bem enemies to lovers, que eu a-d-o-r-o) entre ambos que me deixou bobamente risonha e surtando pela casa. E olha que, segundo eu mesma, não sou nada romântica, e mesmo assim fiquei bobona com as interações, mas, como eu disse anteriormente, eu sou extremamente suspeita.
A relação do Calcifer com a Sophie é muito fofo também, ele só reclama dela e fica "Quem deixou essa velha doida entrar?", quando ele mesmo que deixou. Os dois ficam só de implicância, mas no fim são bobinhos e completamente apegados.
O começo da leitura me fez lembrar de Cinderela; Sophie vivendo com a madrasta e duas irmãs, trabalhando exageradamente e sem receber quase nada por isso. Mas é só no início mesmo, a não ser que você considere que ela ter sido amaldiçoada por uma bruxa (em vez de salva por uma fada) e encontre um feiticeiro (no lugar de um príncipe) enquanto está enfeitiçada (só que velha, e não princesinha encantada) e ambos se apaixonam, então talvez tenha lá uma pitada de inspiração desse conto de fada.
Outra coisa que eu gostei é que mostra o quanto eles são tão necessitados em ser belos. Sophie acredita que não pode ter uma vida incrível porque não se considera bonita. E Howl, precisa exageradamente estar o mais perfeito possível para que os outros o amem. E no final, ambos se aceitam pelo que são e conhecem verdadeiramente um ao outro.
Então, resumidamente Sophie é a mais velha de três irmãs e pensa que por isso não será nada na vida já que suas irmãs desempenharam os papéis disponíveis e ela ficou sem nada, apenas cuidando da loja de chapéus. Mas num dia, uma mulher estranha surge e Sophie se transforma em uma velha de 90 anos. É quando ela percebe que se deparou com a Bruxa das Terras Desoladas e não tem ideia de como se livrar do feitiço lançado sobre si. Não sabendo como viver a partir desse momento, pois como ela iria explicar que foi amaldiçoada e como trabalharia na chapelaria com as costas toda acabada? Ela ruma em direção ao desconhecido, procurando uma forma de acabar com o encanto. E é quando ela se depara com coisas estranhas no caminho, inclusive um castelo que se move e que parece pra lá de encantado. Assim que ela entra nele, descobre um lugar bagunçado, mas cheio de magia. É aí que ela conhece Calcifer, um demônio do fogo, que entra em um acordo com ela: ele livra ela da maldição se ela o ajudar a se libertar do pacto com o dono do castelo. Mas pra ela fazer isso, ela precisa descobrir como que o faz e por isso acaba ficando no castelo com o pretexto que é uma nova empregada do lugar (O que, diga-se de passagem, era necessário, já que o lugar era completamente bagunçado e imundo, com louças e roupas empilhadas, cheio de poeira e teias de aranha.) enquanto procura pela coisa que quebrará o tal pacto. Não tarda pra ela descobrir que o dono é ninguém menos que o Mago Howl, mais conhecido como um sedutor e devorador de corações de jovens belas. O que deixa Sophie enciumada com o passar do tempo, apesar da relação gato e rato entre ambos. Afinal, ela não se acha bonita, ainda mais habitando num corpo de uma velha, como Howl se apaixonaria por alguém como ela? Sophie se apega bastante com todos do castelo e vice-versa. O que faz ela constantemente ajudar Howl e entrar em muitas enrascadas. Ela também acaba conhecendo várias indivíduos peculiaresno decorrer da história, incluindo um cachorro que vira homem e um espantalho que a segue para tudo quanto é canto (O que faz a coitada quase infarta por diversas vezes.). Como podemos ver, Sophie passa por poucas e boas e não parece acabar tão cedo, ainda mais quando ela e Howl percebem que não se encontraram por acaso e que terão que descobrir a verdade e acabar com a maldição que os envolve.
Apesar de tudo, a história do livro e do filme tem algumas partes destoantes, como a história da Bruxa das Terras Desoladas, mais coisas sobre a vida do Howl e da família da Sophie.
Além de ter ilustrações lindas, feitas pela ilustradora Isadora Zeferino.
Pra quem gostou do filme, vale muito a pena ler o livro. E pra quem não assistiu ainda, faça-o e também leia, porque essa história deve ser muito bem apreciada. Mesmo que seja um gênero infantojuvenil, acho que todas as idades deveria lê-lo. Ele mostra como somos apegados à ideia da beleza, quando, na verdade, cada um de nós somos belos à nossa maneira. Como devemos ser persistentes com o que queremos e nunca deixar nos contentar com o que a vida nos dá só porque achamos que não merecemos mais, quando nós merecemos tanto.
E de praxe, depois que eu terminei de ler, passei mais de uma semana assistindo a animação; todos os dias. Então nota-se o quanto eu gosto dessa história. Ela tem aquela pitada mágica e um romance levinho que eu tanto gosto.
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