Resenha: O Castelo no Ar


Livro: O Castelo no Ar 

Autora: Diana Wynne Jones

Editora: Galera Record 

N° de páginas: 350

Gênero: Fantasia, Infantojuvenil



Imagina se o que você sonhasse ou imaginasse se tornasse realidade, qual sonho você queria que fosse real? Agora pensa só naqueles sonhos de terrorzão se tornando reais? Nossa senhora, eu não ia ter alma pra tudo isso não. [risos]

O Abdullah é um cara sonhador, ele deseja ser diferente do que é e talvez o destino esteja do seu lado, de um jeito meio torto e cheio de empecilhos no caminho, mas ainda assim do seu lado. No começo do livro a gente percebe o quão cabeça nas nuvens ele é e como sua imaginação é fértil ㅡ ele poderia até escrever um livro.  
Depois que um cara misterioso vende um tapete pra ele, tudo que vivia dentro da sua imaginação de repente se materializa. Abd tem um sonho realista e em pouco tempo percebe que é graças ao tapete comprado. Nesse sonho que não é sonho, ele conhece uma bela jovem que vivia isolada nos muros de seu palácio, intocada e  imaculada. Sem saber até mesmo a diferença de uma mulher para um homem, ao ponto dela ter confundido Adb com uma mulher. Depois de breves encontros, em um deles, onde eles tinham planos de fugir juntos, sua doce princesa é raptada na frente de seus olhos e a partir daí é uma aventura por desertos e terras que nunca havia ido antes, vivendo o que nunca tinha vivido e buscando por sua amada enquanto constrói relacionamentos duvidosos e agradáveis.  
Castelo no ar tem uma pegada dos contos de fadas que tanto conhecemos desde sempre (assim como a do Castelo Animado), me fez lembrar um pouco de Aladin. Tem um tapete voador, sutões, princesas presas em seus castelos e destinadas a casarem com príncipes, uma lâmpada mágica e muitos momentos de fugas.  
A princípio, eu me esforcei pra me conectar na história, às vezes quando eu achava que finalmente tinha conseguido, eu facilmente me desconectava, então não foi algo que me prendeu profundamente. Também não foi de todo mal, mas se for emparelhar entre os outros dois do box, eu de fato gostei menos desse ㅡ tanto que quando eu fui ler o terceiro: "A casa dos muitos caminhos", eu devorei metade dele em UM dia. Então, sim, enrolei DEMAIS pra lê-lo, apesar da escrita ser muito boa (Afinal, estamos falando da Diana, e a escrita dela é mágica) e alguns pontos da história serem atraentes como os cenários, os momentos de fuga e alguns personagens, assim como o enredo em si, onde a história nunca fica parada, os personagens muito menos, a cada capítulo algo de novo acontece. Afinal, eles ficam fugindo e viajando, e fugindo e viajando por todo lugar procurando pelo castelo onde Flor da Noite está aprisionada. Ele infelizmente não me prendeu tanto quanto eu pensei que faria, acho que porque eu não consegui me conectar muito bem com o protagonista. E quando eu finalmente estava começando a ter algum sentimento pela história, ela acabou.   


O Abd é MUITO puxa suco e bajulador, e isso é irritante em diversas vezes, em outras, deu pra dar boas risadas. E com certeza não tem problema em ser educado, afinal é mais do que bem apreciado e necessário, mas a gente sabe quando essa educação passou dos limites e se tornou simplesmente um aborrecido saco de bajulação sem sentido e exagerado. Ele é bem desconfiado (O que não vou reclamar porque também sou assim) e um pouco preconceituoso em certos pontos. Tem até uma nota da editora pedindo desculpas, porque, realmente antes certas coisas eram levadas como normais e tava tudo bem. Mas a gente sabe que não é assim, que quando fere ou machuca alguém, seja fisica, emocional ou psicológica, isso já deixou de ser "uma bobagem" e se tornou algo sério. E o preconceito é algo sério e a nossa sociedade tem que se desconstruir dessas bases que vive há séculos. Talvez essa tenha sido a lição que eu tirei da história. 
Quem vê eu falando só os pontos negativos de Abdullah, pensa que eu não gostei dele...  Eu só quis enumerar o que não gostei, pra você, leitor que está lendo essa resenha agora, entendnt que não foi a história que não me prendeu, mas o protagonista e suas ações que não entraram goela abaixo.
Enquanto em O Castelo Animado eles aprenderam a conhecer a verdadeira beleza, aqui, a beleza era o centro do universo.   
Os nossos personagens queridinhos Sophie e Howl aparecem também, mas eu não posso entrar em detalhes porque se não é SPOILER! Mas eu surtei como a grande bobinha que sou por esse casal.  
No mais, a história não é  ruim, o plot é incrível e o desenvolvimento é MUITO bom. Como eu disse, no final do livro é que a coisa fica boa e é realmente surpreendente.  

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